Opinião | Do apogeu ao abismo: o pós-holofotes da COP-30
A COP-30, amplamente debatida e aguardada por cientistas e pesquisadores, finalmente ocorreu em Belém, no final de 2025. Contudo, apesar das elevadas expectativas, o evento que deveria consolidar o Brasil como líder climático acabou seguindo na direção oposta. Desde o início, ao conceder a sede da conferência a um Estado com infraestrutura e saneamento básico insuficientes para suportar um encontro dessa magnitude, o País buscou reforçar a importância simbólica da Amazônia e atrair investimentos, ao mesmo tempo em que prometia um legado urbano para a cidade. Esse cenário, que já indicava riscos ao sucesso do evento, evidenciou as contradições entre o discurso de protagonismo climático e a capacidade prática de execução, abrindo espaço para críticas quanto ao planejamento, à gestão e às prioridades políticas.
Desse modo, ao injetar volumes expressivos de capital no Pará, o Estado brasileiro buscou acelerar transformações estruturais e mobilizar os recursos necessários à realização da COP-30, sobretudo no que se refere à infraestrutura e à logística do evento.
Nesse contexto, até o momento, o governo federal contabiliza cerca de R$ 787 milhões em dispêndios associados à conferência. Ainda assim, apesar do elevado esforço........
