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Opinião | De Picasso a Trump: a alucinante regressão

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15.02.2026

No início do século 20, os EUA ainda inseguros de seu lugar no mundo, decidiram virar as costas à arte moderna europeia. Consideravam-na decadente, intelectual demais, excessivamente marcada por um continente velho e exaurido. Enquanto Paris era o centro de gravidade cultural, artistas e instituições americanas viam no cubismo, expressionismo e surrealismo não caminhos para a criação e o conhecimento, mas uma ameaça ao “espírito americano”, então moldado por moralismo, puritanismo, religião e pragmatismo.

Esses impulsos se cristalizaram na Ashcan School de Nova York, que defendia uma estética crua, urbana e nitidamente nacional – uma afirmação explícita de identidade contra Cézanne e Kandinsky, respectivos pais da arte moderna e da abstração. Pouco depois, o país cunhou sua própria “arte hodierna”, narrativa e viril, cuidadosamente formada para se diferenciar da experimentação cosmopolita europeia.

Museus, colecionadores e críticos empenharam-se em promover essa genealogia alternativa: uma modernidade sem Paris. Rejeitava-se Picasso para afirmar a pátria... America First.

Ao mesmo tempo, o Brasil fazia o contrário. Em Paris, Tarsila frequentava Léger, Brancusi, Cocteau e Picasso. Foi ali, na efervescência da década de 1920, que ela definiu seu estilo.

Para os brasileiros, a Europa era a porta de entrada para........

© Estadão