Opinião | Do ouro olímpico ao Pesto Martini: cinco razões para amar Milão agora
Milão passou as últimas semanas sob os holofotes do mundo. Parte da Olimpíada de Inverno 2026 aconteceu ali, entre a imponência do Duomo e a elegância da Galleria Vittorio Emanuele II. O Brasil fez história com o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante — e, de quebra, ainda desfilou estilo. Com a cidade em evidência, ficou difícil não lembrar que, além de palco esportivo, a capital da Lombardia é reconhecidamente um destino europeu para comer, beber e se hospedar. Para quem ficou com vontadinha de visita- las, há dicas testadas e aprovadas!
O nome do restaurante, com uma estrela Michelin, define bem o jogo entre a estrutura antiga do imóvel milanês e o interior vibrante — até demais — em tons verdes e avermelhados. Mas o trabalho do chef uruguaio Matias Perdomo não é sobre mise-en-scène. A filosofia baseia-se na valorização de pratos tradicionais elaborados com técnicas contemporâneas, não raro ousadas.
Só para ficar claro: tem lasanha alla bolognese em forma de donut, ravioli de risotto alla milanese, mexilhões cacio e pepe, vieira no lugar do intestino na releitura da tradicional trippa da cidade e também a icônica torta di rose, uma espécie de brioche sempre recém-saída do forno, servida com sorvete de baunilha. Os menus degustação custam € 180.
Eleito o sétimo melhor bar do mundo, ele não é apenas um grande destino para a mixologia. O espaço funciona em um antigo galpão têxtil; ao passar por ali, o bartender Lorenzo Querci se apaixonou pelo imóvel. Instalou um balcão com centenas de destilados, uma oliveira de 8 metros de altura, 700 anos e muitas toneladas, vinda da Andaluzia, além de uma loja de vinis e uma pick-up de DJ.
Ali convivem ainda dois restaurantes: o Moebius Tapa Bistrot, no térreo, e, mais reservado, no andar superior, o Moebius Sperimentale — uma cozinha estrelada, exclusiva para 20 pessoas, sob o comando de Enrico Croatti, primeiro chef italiano a conquistar uma estrela Michelin na Espanha.
O menu confiança de oito tempos custa € 190, e há coquetéis desde € 15, caso do Bergamot Margarita. O imperdível Pesto Martini sai por € 16.
O japonês Yoji Tokuyoshi ficou conhecido como sous-chef de Massimo Bottura na Osteria Francescana. Em seu projeto autoral, repensa identidade e técnica, combinando a estética minimalista japonesa à informalidade de uma trattoria moderna italiana.
O nome faz referência ao “bento”, a tradicional caixa japonesa compartimentada com porções harmoniosas de arroz, proteína e acompanhamentos — conceito que se reflete nas variações constantes e sazonais do menu nipo-ocidental.
Nesse sentido, é simbólico o sukiyaki em homenagem à Soupe aux Truffes VGE, de Paul Bocuse. Criada em 1975, a sopa original traz um caldo intenso com foie gras, trufas negras e legumes, servido sob uma camada de massa folhada que infla no forno. A versão de Tokuyoshi propõe uma leitura mais equilibrada, com caldo profundo, porém mais limpo e leve, mantendo o foie gras e a massa folhada e acrescentando wagyu (€ 28).
Radisson Collection Hotel Santa Sofia Milan
Sua arquitetura pode chamar a atenção no centro de Milão, mas o cinco- estrelas é discreto e acolhedor. Por acolhedor, entenda-se frigobar de cortesia e equipe realmente gentil. Pelo conforto das suítes e pelo belíssimo café da manhã (aviso: com o melhor bolo de limão da Itália), é um achado — há diárias a partir de € 271,60.
Hotel Principe di Savoia
Prestes a comemorar um século, é um dos endereços mais tradicionais da hotelaria de luxo milanesa. Integrante da coleção Dorchester, com ambientes marcados por mármore, lustres imponentes e detalhes art déco, une ares refinados de outrora ao conforto contemporâneo.
O Principe Bar parece cenário de filme de James Bond — e pode, sim, preparar martinis batidos, não mexidos. O gigantesco menu de café da manhã é outra atração do hotel (considere até se não for se hospedar por lá). O único senão é que as diárias são salgadas, beiram € 1.000, mas o acesso ao spa está incluso e, até abril, quem reserva quatro noites ganha uma.
