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Crónicas de Lisboa: Era Abril, o mês dos Cravos do ‘Abril em Portugal’

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20.04.2026

Crónicas de Lisboa: Era Abril, o mês dos Cravos do ‘Abril em Portugal’

A minha geração, a masculina, porque “as mulheres não iam à tropa”, tinha como destino, quase certo, porque havia sempre alguém que arranjava uma “maleita”, suportada numa cunha ou numa forma corruptiva para um atestado médico, prestar o serviço militar obrigatório, isto é “servir a pátria”, mesmo que para tal “oferecesse a vida” na defesa da honra dela, a pátria ou dos governantes do regime?

Mas também havia muitos “mancebos”, mais “intelectualizados” ou acobardados, alguns feitos “heróis” depois do 25 de Abril, que fugiam para Paris, para Argel, etc, deixando aos outros a obrigação de “darem o corpo ao manifesto” ou pagando com a vida essa “entrega à pátria”, mesmo que ingenuamente.

Passe-se por Belém, em Lisboa, e pare-se junto ao monumento aos mortos ali existente e atente-se na lista dos portugueses, incluindo os “portugueses africanos”, que morreram nesse período de mais duma década. Era o tempo da guerra colonial, isto é, da luta do “Portugal europeu” contra os movimentos independentistas das colónias. Para todas, era necessário enviar tropas que lutassem e defendessem a integridade dum Portugal uno e indivisível, porque os governantes e os políticos da época não souberam ou não quiseram “ler a história” e antecipar o futuro, preferindo agarrar-se ao passado.

As consequências foram trágicas para milhares de angolanos, moçambicanos, guineenses e portugueses (deste Portugal europeu e dos residentes nessas ex-colónias). Foram os milhares de mortos, em ambas as frentes de guerra, militares e civis – nativos ou colonos – mas também os milhares provocados pelas guerras civis que se sucederam após as independências malconduzidas pelos políticos, de cá e de lá, alguns com grandes responsabilidades politico-ideológicas.

Nas negociações com os representantes dos movimentos de libertação, os partidarismos e a “ideologia soviética” sobrepuseram-se ao pragmatismo e ao verdadeiro interesse dos cidadãos. As consequências foram trágicas, quer para os nativos quer para todos aqueles que ali se tinham fixado como colonos e que, quase na totalidade, tiveram de abandonar, muitos apenas com a roupa que........

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