Que bombeiros queremos para o amanhã?
Que bombeiros queremos para o amanhã?
Há perguntas que não podem ser adiadas. Uma delas é simples de formular, mas muito mais difícil de responder, que bombeiros queremos para o amanhã?
Queremos continuar a depender de homens e mulheres que, depois de um dia de trabalho, deixam a família, vestem uma farda e entram num veículo de emergência para acudir a quem precisa? Queremos que o voluntariado continue a ser a principal força de resposta, mas agora perante incêndios mais violentos, fenómenos meteorológicos extremos e acidentes cada vez mais complexos?
Se a resposta é sim, então temos de mudar urgentemente a forma como olhamos para as nossas corporações e, sobretudo, para os homens e mulheres que as fazem funcionar.
Conheço esta realidade há quase quatro décadas. Entrei para os bombeiros em 1982 e, ao longo destes anos, vi homens e mulheres dedicarem uma parte enorme das suas vidas a uma missão que raramente é compatível com comodidades, horários ou certezas. Vi também uma transformação profunda na atividade de bombeiro.
O bombeiro de hoje já não enfrenta apenas o incêndio que tradicionalmente associamos à sua profissão. É chamado para acidentes rodoviários, emergências médicas, incêndios urbanos e rurais, matérias perigosas, inundações, buscas, salvamentos e situações de catástrofe altamente exigentes.
E a pergunta que devemos fazer é simples: estamos a acompanhar essa transformação?
Em muitos casos, a resposta é não. Continuamos a exigir muito e, demasiadas vezes, discutimos pouco as condições que proporcionamos. Falamos muito sobre a bravura dos bombeiros depois de uma grande ocorrência, mas deveríamos falar mais sobre aquilo que acontece antes dela, a qualidade do equipamento, a manutenção das viaturas, a exigência da formação, o treino........
