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A figura modesta de S. José

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24.03.2026

Todos os santos têm em comum uma realidade: procuraram, nas variadas circunstâncias da seu dia a dia, fazer a vontade de Deus. Alguns, inclusivamente, a partir do momento em que abandonaram o teor de vida pouco recomendável que os caracterizava, passaram a fazer, em todas as circunstâncias, aquilo quer Deus lhes pedia. Há casos em que a sua conversão os faz mudar radicalmente a orientação da sua existência. Lembremos, por exemplo, Santo Agostinho. Mas se nos referirmos a S. José, cuja memória se comemora a 19 de Março, verificaremos que aparece com uma missão, a cumpre integralmente e, depois, como que se sume sem mais ser mencionado.

No entanto, o seu papel na vida de Cristo é fundamental, porque a ele lhe coube uma série de tarefas muito complexas, mas essenciais para Jesus poder levar a cabo toda a missão que o Seu Pai Lhe confiou. 

Efectivamente, José, se é surpreendido pela gravidez de sua esposa, que ainda não convivia consigo, tudo faz para que o que Maria traz em seu seio, não seja para ela motivo de condenação social. Pelo contrário, procura sair-se de cena sem nada dizer ou explicar, tornando-se assim alvo das críticas de todos os seus conhecidos, que o tinham como um homem recto e sério e não como um desertor que foge às suas responsabilidades paternais dum modo totalmente condenável.

Fica a conhecer, através de um anjo que lhe é enviado por Deus durante o sono, que a situação maternal de Maria não resulta de qualquer fraqueza: é obra do Espírito Santo. E acrescenta que lhe dará o nome de Jesus. José não tem dívidas de que ele é o instrumento de que Deus se serve para tratar o filho de Maria como seu verdadeiro pai.

E assim o faz, a partir desse momento, com um sentido de perfeita responsabilidade, assumindo o encargo sem nunca protestar. Pelo contrário, apesar das situações complexas, duras e árduas, que a gravidez de Maria e, depois, o nascimento de Jesus trazem consigo, José é sempre o esteio forte que defende a sua esposa e o seu Filho adoptivo, sem qualquer protesto ou fuga de responsabilidade. Mais ainda: é ele que ensina Jesus a trabalhar no seu lugar laboral. E tudo isto de uma forma muito normal e eficiente. Nunca o faz para chamar a atenção sobre si. Pelo contrário: José desaparece de cena, certamente, alguns anos antes do início da vida pública de Jesus. Ele foi o instrumento de que Deus se serviu para dar a seu Filho encarnado uma existência normal entre os homens e a sociedade em que cresceu e se tornou adulto. 

Não há nenhuma palavra de José nos Evangelhos. No entanto, vemo-lo cumprir tudo o que Deus lhe prescreve para que o seu Filho nasça, cresça e se torne depois o grande arauto da misericórdia e do amor que Deus tem para com todos os homens. Curiosamente, quando Jesus inicia e, depois, durante aproximadamente três anos, deixa as suas palavras de salvação e exemplo de misericórdia, José nunca aparece. Provavelmente, Deus já o teria chamado para junto de Si. Por isso, o esposo de Maria e pai de Jesus surge aos nossos olhos como o que são todos os homens; criaturas de Deus que preparam, neste mundo, a sua eternidade. Agradeçamos a S. José ser um exemplo do que deve ser a nossa vida neste mundo: instrumentos de Deus que nascem, como Jesus, para conduzir todos os homens para o fim da sua criação - chegar à eternidade celestial.


© Diário do Minho