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“Uma nuvem luminosa os cobriu...”

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23.02.2026

No texto da transfiguração de Jesus, a ser proclamado no próximo domingo (II da Quaresma/Ano A), o evangelista Mateus afirma que “uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra” (Mt 17, 5). Quando tentamos conjugar a sombra da nuvem com a sua luminosidade, de imediato percebemos que o evangelista pretende orientar-nos para um outro nível de leitura e significado, para a dimensão teológica do texto. Como frequentemente acontece, o texto não está a descrever um acontecimento, mas a evocar um sentido e a sugerir uma interpretação.

Mais clara ou mais espessa, luminosa ou não, a nuvem simboliza, em todas as culturas, o mistério da união entre o divino e o humano, uma espécie de elo entre o céu e a terra. Na Sagrada Escritura, é um símbolo rico e “privilegiado para significar o mistério da presença divina: manifesta Deus ao mesmo tempo que o esconde”1. Presta-se assim a conjugar a proximidade e familiaridade de Deus com a sua distância e transcendência. Simultaneamente acessível e impenetrável, a nuvem permite alcançar Deus sem o ver face a face, assumindo-se como um símbolo profundamente religioso e teológico, um dos elementos constitutivos das muitas e variadas teofanias do Antigo Testamento. 

No livro do Êxodo, Deus guia o povo de Israel pelo deserto, durante o dia, por........

© Diário do Minho