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“Caminho, verdade e vida”

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27.04.2026

O texto do evangelho do próximo Domingo (Jo 14, 1-12), o V da Páscoa/Ano A, é um belo e denso excerto dos discursos de despedida (Jo 13, 31 - 17, 26), uma espécie de testamento espiritual de Jesus. À sua afirmação “para onde eu vou, vós sabeis o caminho” (14, 4), Tomé objeta: “Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?” (v. 5). Jesus aproveita a circunstância para fazer uma das suas mais fortes afirmações, no Evangelho de João: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim” (v. 6). Esta é ainda uma das expressões mais metafóricas e, por isso mesmo, mais densas e fortes de toda a Escritura, que resume, de forma profunda, a espessura da identidade, a essência da mensagem e o alcance da missão de Jesus. 

Começamos por notar que, ao contrário das palavras “verdade” e “vida”, que são frequentes no Evangelho de João (25 e 36 vezes, respetivamente), a palavra “caminho” só ocorre uma vez e é precisamente neste lugar1. Poderemos lê-la, por certo, no contexto do mal-entendido joanino2: Tomé compreende-a em sentido literal, como o lugar que se calca e por onde se passa. Porém, quando se afirma como tal, Jesu está a dar-lhe um sentido mais profundo. Porque se intitula de caminho para o Pai, sublinha a sua condição de mediador e apresenta-se como sentido e orientação para o ser humano que busca Deus e a quem Deus se revela. Por isso,........

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