Para além da “comoção”
Já Eça de Queiróz se referia, nas suas cartas familiares e bilhetes postais de Paris, à abominável influência da distância sobre o nosso imperfeito coração. Procurando, através desse meio escrito, dizer que quem está a leste esquece e estando longe da vista, longe estará do coração.
Algo nem sempre intrínseco à sensibilidade humana, mas que por vezes acontece. Aliás, bem patente no nosso habitual “estado d’alma” perante as adversidades das vidas alheias, as quais nos limitamos a lamentar para, logo de seguida, nunca mais nos lembrarmos delas. A não ser que um dia um cataclismo nos bata à porta e nos faça passar por dificuldades.
Esta imperfeição emotiva, tal como o nosso grande escritor a descreve, parece não ser muito diferente da de agora. Dado passarmos, hoje, parte do nosso tempo refestelados nos sofás, lá de casa, a ver e ouvir a procissão de comentadores na TV; a ler os jornais e a deitar o olho às redes sociais para sabermos das tragédias que assolam o país e o........
