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O leitor não nos deve o seu tempo

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05.09.2026

Publicar tornou-se demasiado fácil para continuar a ser um gesto inocente. Nunca houve tantas palavras disponíveis, tantos lugares onde as depositar, tantas formas de as fazer circular. Mas a multiplicação dos meios não trouxe consigo uma correspondente abundância de atenção. Pelo contrário: quanto mais se publica, mais raro se torna o tempo interior de quem lê. É por isso que escrever para os outros deixou de ser apenas uma questão de expressão, tornou-se uma responsabilidade.

O leitor não nos deve o seu tempo. Não é obrigado a acolher a nossa opinião nem a acompanhar o nosso raciocínio. Quando pega num texto, entrega-nos alguns minutos irrepetíveis da sua vida. Respeitá-lo significa reconhecer o valor dessa dádiva e perguntar, antes de publicar: há aqui alguma coisa que mereça ser recebida?

Nem tudo o que pode ser dito precisa de ser publicado. Há textos que apenas repetem o que já circula, acrescentando ruído ao ruído; outros usam palavras grandiosas para esconder a........

© Diário do Minho