As férias não servem para fugir da vida
Há quem chegue às férias como quem cruza a meta de uma maratona, sabendo que, em breve, começará outra corrida. Depois de meses de agendas sobrelotadas, reuniões, prazos e notificações, sonha-se com o momento de desligar – de preferência num lugar com boa cobertura de rede, para que todos acompanhem o desligamento.
Mas descansar será apenas interromper o trabalho? Ou exigirá aprender a deixar, por alguns dias, de viver como se tudo dependesse da nossa rapidez?
Transformámos a velocidade numa virtude moral. Quem responde imediatamente, acumula tarefas e declara não ter um minuto parece ter direito à exaustão. O cansaço tornou-se uma condecoração social: raramente se sabe por que mérito foi atribuída, mas exibe-se com orgulho.
Esta lógica viaja connosco. Mudam os cenários, conserva-se o ritmo. É preciso visitar, experimentar, fotografar, publicar e provar que estamos a descansar de forma memorável. Há programas de férias tão rigorosos que quase........
