Um político assume-se – PSD Braga
No passado dia 28 de fevereiro, a Distrital de Braga foi a eleições, demonstrando que é uma estrutura aberta e sem receios de disputas eleitorais. Estas eleições serviram para comprovar três pontos muito claros: 1.º Um bom político é aquele que se assume; 2.º As lógicas partidárias não fogem àquilo que sempre foi a política e a vida no geral; 3.º A vitimização sempre foi o erro de muitos no PSD.
Em primeiro lugar, é importante mencionar o nome da pessoa que, apesar de ter perdido a eleição, demonstrou, como sempre o faz, que um bom político é aquele que é sério, não foge à luta e não tem medo de, num momento de triunfo, arriscar o palco em prol das ideias que defende. Nos últimos anos, Paulo Cunha foi um grande Presidente de Câmara, fazendo de Famalicão um ex-líbris da produtividade num país sem impulso económico. Fez tudo isto sem grande ruído ou espetáculo, sempre com o reconhecimento dos seus cidadãos. Como eurodeputado, tem sido um verdadeiro líder político dos representantes do PSD, trabalhando com a discrição e calma que sempre o caracterizaram, criando todos os dias resultados impactantes na vida dos portugueses. Desenvolve em Bruxelas a arte mais importante na política: a capacidade de concretizar. Foi, até dia 28 foi o mais brilhante presidente de uma Comissão Política Distrital do PSD, obtendo vitórias determinantes em muitas cidades do distrito e outras que se revelam impressionantes pela mudança se advinham para os concelhos. A forma como liderou estes processos, garantindo a todos os candidatos todo o apoio, nunca se escondendo nos insucessos, nem roubando as vitórias nos sucessos, faz dele um político incomum: alguém que olha para a política como um jogo de equipa e não como uma partida de xadrez. Em nenhum momento, a derrota apaga a sua dimensão. Ao PSD só resta agradecer tudo o que fez.
Com isto, entramos nas lógicas. Carlos Reis ganhou porque soube contar cabeças e, é rei quem, no final do dia, demonstrar as espingardas no campo de batalha. No entanto, há uma pergunta que ficará sempre no ar: porquê agora? Num momento em que o partido ganhou quase tudo o que havia para ganhar no distrito, em que é Governo, em que todos os autarcas reconheciam na liderança da Distrital todo o apoio e competência? Porque, na política, o momento não são as circunstâncias, mas sim a força. Este foi o momento em que Barcelos conseguia, quase sozinha, ganhar a Distrital e foi também o momento em que o silêncio cúmplice e ativo de Vila Verde daria a vitória. Como dizia um dirigente destacado desta candidatura, há quatro anos que a mesma estava a ser preparada. Quando estamos preparados, apenas precisamos do impulso e ele chegou sob a forma de via verde. Agora, Carlos Reis ganhou com toda a legitimidade democrática e é altura de trabalharmos juntos no distrito com lealdade.
Chegados aqui, falta mencionar o ponto em que a política reduz o seu conteúdo e passa apenas a ser espetáculo. Em Braga, existiu uma fação que, com toda a legitimidade, quis propor-se a votos para a Assembleia Distrital, mas que não teve a devida coragem de se sufragar à concelhia. No fundo, procuraram fazer uma espécie de sondagem ao seu peso eleitoral e perceberam aquilo suspeitavam. Mesmo não tendo a sua lista ido a votos para a Assembleia Distrital, por uma decisão que me pareceu acertada pelo Presidente da Mesa da Secção, tentaram perceber qual seria o seu peso através da votação para a Distrital e aperceberam-se de que as ideias defendidas pela atual e anterior Comissão Política de Braga foram sufragadas por 74% dos militantes ativos. Ou seja, apenas 26% corresponde à vontade que hoje dizem silenciada, quando, na verdade, não querem ver o óbvio: a sua visão é minoritária.
Há muito a fazer nos partidos, mas estou certo de que essa mudança não passa por um discurso de rebaixamento do adversário apenas porque não conseguem o êxito que pretendem. Porque, se no final do dia reconhecem que as “espingardas” de Carlos Reis são legítimas para fazer um líder, então devem reconhecer a legitimidade de quem governa o partido localmente. Uma vez mais, João Granja dará toda a sua visão ao PSD Braga e estou certo de que, sendo este o seu último mandato, este será o momento de ser aquilo que sempre foi: um líder nato, um líder que abre caminhos para que outros mudem as cidades ou o país naquilo que melhor sabem fazer; um líder que procura atrair e trazer mais independentes; um líder que trabalha a todas as horas por Braga. É altura de João Granja ser aquilo que sempre foi: o príncipe do PSD de Braga.
