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Ricardo e Rodrigo

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12.03.2026

O título do artigo de hoje podia ser de uma qualquer dupla sertaneja do Brasil, mas não é. Ele pretende sublinhar, uma vez mais, a elevada importância que os dois jogadores têm tido na época do SC Braga. Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar estão numa fase de lançamento claro da sua candidatura ao Mundial 2026, pelos respetivos países. Ambos têm sido muito influentes para a poesia em movimento que se observa nos relvados sempre que joga o SC Braga, a ponto de os adversários, na maioria das vezes, prescindirem da bola para contemplar o que fazem com ela os comandados de Carlos Vicens, com as decisões maioritariamente a caberem à dupla Ricardo e Rodrigo.

O SC Braga encontra-se claramente num processo diferente, que representa, para o bem e para o mal, uma rutura com o passado. O trabalho da atual equipa técnica bracarense deve ter tido um início bastante complicado, com alguns dissabores internos que, no momento atual, dificilmente surgiriam. Contudo, o caminho nunca seria de asfalto aveludado, porque as pedras poderiam estar em cada esquina representada por cada adversário. A lamentar apenas a indesejada perda de pontos, que, se não tivesse acontecido nas proporções em que se verificou, poderia valer uma luta mais cimeira na tabela, ainda que esta temporada seja atípica devido ao reduzido número de pontos que os três autoproclamados grandes deixaram pelo caminho.

Outra coisa que tem feito a diferença em vários duelos, sempre a favor dos mesmos, são os favores arbitrais que merecem a “compreensão” do obsceno número de programas televisivos dedicados ao futebol daqueles três clubes. Apetece-me referir o termo “eucaliptos” para definir os três emblemas, expressão que foi cantada de forma tão bela em tempos pelos adeptos do SC Espinho. No final, dizem os “especialistas”, as contas entre os três são quase sempre equilibradas, o que faz pressupor que aos restantes clubes está reservado um papel secundário, ou mesmo de figurante, no filme pornográfico em que se torna cada edição da liga portuguesa. Os adeptos dos diferentes clubes, para além do trio, devem contestar este estado de coisas instalado no futebol português e reagir, porque a força de todos pode ajudar a mudar a situação. As grandes mudanças exigem, desde sempre, sacrifícios e união entre todos, acrescento eu.

O SC Braga recebeu o Sporting CP num duelo que terminou empatado, com os descontos do primeiro tempo a oferecerem a vantagem aos leões num penálti desnecessário e involuntário, tendo os descontos finais retirado essa vantagem noutro penálti, que só foi conseguido à segunda tentativa no mesmo lance. Os golos Brácaros foram marcados pela dupla Ricardo (Horta) e Rodrigo (Zalazar), com a Pedreira a terminar em merecida festa pelo golo tardio, que teimou tanto tempo em não aparecer. Mesmo em desvantagem, os comandados de Carlos Vicens nunca abdicaram dos seus princípios, apesar da incompreensão de muitos adeptos, e viram essa resiliência e crença no processo premiadas sobre o final.

Uma nota final para o árbitro Miguel Nogueira, que muito aprecio. Não foi, por certo, a sua atuação mais feliz, porque foi demasiado permissivo com a pressão que os leões habitualmente fazem. O juiz, a quem auguro um bom futuro, deveria ter sido mais assertivo e menos dual em várias ocasiões. Agora, venha esse importante duelo da Liga Europa, porque Istambul, local da final, pode não ser tão longe como parece.


© Diário do Minho