menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Deslocação atribulada

26 0
05.03.2026

O SC Braga deslocou-se à Madeira para defrontar o Nacional na Choupana, na jornada passada. O duelo, à semelhança dos outros nesta fase de maiores decisões, era de dificuldade evidente, pelo que todos os cuidados poderiam não ser suficientes para um desfecho positivo.

A ida à ilha madeirense traduziu-se, de um modo global, numa deslocação atribulada, uma vez que, por aquelas bandas, o tempo muitas vezes dita leis. A planificação da minha viagem foi bastante atempada e incluía, além do jogo, uns dias para voltar a visitar a beleza natural da ilha em aprazível companhia familiar. 

A viagem estava prevista para a sexta-feira, antes do jogo, mas o mau tempo e a diferente postura da companhia aérea, em comparação com outras, levou ao cancelamento do voo no momento em que já estávamos na porta de embarque. No mesmo dia vários adeptos braguistas foram desviados para Porto Santo, onde passaram o dia, fazendo a ligação posterior à Madeira em viagem de barco, pela noite dentro. A situação criada pela anulação do voo levou à procura imediata de alternativas para o dia seguinte, surgindo assim nova viagem para o sábado em que o jogo se realizava. Era preciso rezar para que tudo batesse certo, o que acabou por acontecer. A aterragem garantia a presença no encontro da Choupana, depois de um almoço de acolhimento madeirense a preceito.

A viagem até ao estádio foi feita por aquele caminho incrivelmente inclinado, levando a questionar sobre quem teve a ideia de construir um estádio num ponto tão elevado. Em primeira ou em segunda o carro (alugado) lá chegou ao destino e foi tempo de convívio antes do duelo agendado. Entretanto, o autocarro com a equipa bracarense chegou e os jogadores perceberam que, apesar das dificuldades existentes, o apoio estava garantido. 

O árbitro do encontro era Diogo Rosa, um alentejano desconhecido que após o encontro não deixa saudades em Braga, tal foi o chorrilho de equívocos ao longo da partida. A anulação do segundo golo brácaro a Gabri Martinez, que ampliava a vantagem e tranquilizava a equipa, parece de difícil compreensão. De igual modo, os lances passíveis de grande penalidade cometidos sobre Pau Víctor, no primeiro tempo, e Zalazar, já perto do fim, ilustram a dificuldade de compreensão dos critérios da arbitragem portuguesa e do acompanhamento tecnológico do VAR. O triunfo arsenalista chegou a dobrar pelo pé direito de Zalazar, que reafirmou a sua candidatura a estar no próximo Mundial de futebol. O uruguaio e Ricardo Horta têm sido figuras de destaque que justificam a presença nos respetivos grupos finais. No caso português só a ausência total de critérios pode deixar de fora o Capitão bracarense, cuja influência na equipa é por demais evidente. 

O encontro terminou em clima de comunhão entre a equipa de Carlos Vicens e os adeptos, num retrato bem tirado às dificuldades que levaram à conquista dos três pontos.

A viagem de regresso prometia novas aventuras, com diversos cancelamentos existentes nos voos previstos para saírem da Madeira. O receio de adiamento da viagem era evidente, pelo que os momentos em que o avião levantou voo na Madeira e aterrou no Porto foram de alívio, porque os deveres profissionais assim exigiam. A deslocação, com diversos episódios turbulentos, terminou bem, permitindo o cumprimento dos objetivos de apoiar a equipa e voltar a desfrutar da bela ilha da Madeira. Fica pensado novo regresso futuro.


© Diário do Minho