Imigração: uma política estratégica nacional
O recente “Relatório de Migrações e Asilo 2025” da AIMA, divulgado na passada terça-feira, voltou a colocar diante de nós uma realidade estrutural: Portugal é hoje um país de imigração. Os números constantes do relatório são expressivos e a sua evolução merece ser acompanhada com rigor. Porém, mais do que contabilizar imigrantes, importa perceber o que estes números significam para o futuro do país.
Portugal está a envelhecer. Nasce pouca gente. E faltam trabalhadores. Há sectores inteiros da economia – a construção é talvez o exemplo mais evidente – onde já não há mão-de-obra suficiente para responder às necessidades do país. São precisas mais casas, mais infra-estruturas, mais cuidados aos idosos, mais trabalhadores para a agricultura, para a indústria e para os serviços. Em suma, são precisas mais pessoas.
É neste contexto que a imigração deve deixar de ser encarada como uma mera questão conjuntural, do foro administrativo ou de segurança, e passar a ser assumida como uma política estratégica nacional.
Tal não significa, todavia, que a imigração possa substituir a natalidade. Não, não pode. Portugal precisa também de uma política de família que permita aos jovens ter os filhos que desejem, levando sempre em linha de conta que uma criança que nasce hoje só daqui a vinte anos entrará........
