O Douro no Divã
É sabido. O Douro e sua vitivinicultura, são uma realidade extremamente complexa, quer social, quer económica, quer institucionalmente. Perceber a realidade e o contexto do mundo que nos sustenta e nos molda, não é fácil, muito mais para quem se não vá fazendo pessoa por entre os vinhedos sentidos como seus mesmo que sejam de propriedade alheia.
Como região propriamente dita, é recente. Comparativamente, ainda andaria de fraldas, no processo iniciador e fundador da identidade. Duzentos e setenta anos, são muito pouco no relógio dos acontecimentos e no chão onde medra a capacidade que permite a defesa e o desejo dos objetivos comuns.
Existimos, somos, temos aquilo que temos, mas foi tudo muito depressa. O negócio feito pilar, começou, despertou aos solavancos, prosperou, mas nunca se equilibrou. A balança, pendeu sempre para o lado de quem a inventou e fez o setor explodir em quantidade e em qualidade, com o mero mister de mercar e de vender vinho.
O Estando, por conveniência própria, tomou conta, mas foi sempre tido mais como malfeitor do que como aferidor. Entretanto, já lá vamos, no mais em baixo que ainda se não escreveu, mas está a despontar.
Recuando um pouco no tempo e nas suas coisas, para quando o século XVIII, acabava de dealbar, com a guerra a campear entre a França e a Inglaterra, devido a desavenças entre as respetivas famílias reais, como foi costume durante séculos. As circunstâncias da História, e a história das circunstâncias, levaram a que os britânicos, tivessem de procurar vinhos noutras bandas para o seu exigente mercado.
Foi então que nos descobriram. O potencial foi e é de tal maneira que, foi preciso pouco mais do que o tempo de alguns ais, para que se exponenciasse. Cresceu a procura, aumentou a produção. Trabalhou-se a bom trabalhar e a exclusividade do produto que encantou e encanta, frutificou tornando-se uma excelente........
