Quem matou o tédio?
Há uns anos, esperar era apenas esperar. Aguardar pela nossa vez. Agora, qualquer perspetiva de espera é uma potencial dor de cabeça, com uma carga mais negativa, e com a tendência automática de preencher esse tempo. O telemóvel acompanha-nos na fila do supermercado, no elevador, na sala de espera, no transporte público, a minutos de reuniões.
A pergunta que surge é: quem matou o tédio? A resposta não é simples, não foi uma pessoa, não foi a tecnologia, nem a Inteligência Artificial. Foi uma cultura que passou a valorizar a ocupação permanente, a conexão total, o medo de estar sem fazer nada.
O tédio naturalmente é visto como algo negativo, associado à falta de produtividade, de entusiasmo, de........
