Como a corrida espacial é também uma corrida à verdade
Em abril de 1970, Blanche Lovell, mãe do comandante da Apollo 13, Jim Lovell, procurava o filho na TV. No realista filme de Ron Howard (de 1995), a cena é pungente: num lar de idosos, ela espera ver o lançamento histórico, apenas para descobrir que as grandes redes – ABC, CBS e NBC – tinham decidido que ir à Lua se tornara “rotina”, sem direito a transmissão direta. O mundo só voltou a ligar a televisão quando o desastre aconteceu e a luta pela sobrevivência se tornou entretenimento.
Esta cena não foi apenas um recurso dramático; é o retrato de um mundo de “gatekeepers”, dos que decidem o que é que o “povo” tem o direito de ver. Na era Apollo, quando os guardiões da atenção decidiram que o espaço era aborrecido, o espaço deixou de existir para o público.
Hoje, apesar de muitos ligados à profissão suspirarem de saudades por esses tempos, vivemos o total oposto. É por isso que a “nova” corrida espacial, protagonizada nos últimos dias pela missão Artemis, mas também pela SpaceX, não depende da permissão de qualquer editor ou diretor de um órgão de comunicação social. Ela vive na........
