A Europa não tem um problema de legislação. Tem um problema de autoridade.
A Europa gosta de acreditar que resolve os seus problemas através da legislação. Sempre que surge uma nova realidade económica, responde com um novo regulamento, uma nova diretiva ou um novo pacote legislativo. Fá-lo com competência técnica, detalhe jurídico e uma ambição regulatória sem paralelo. O problema é que legislar deixou de ser suficiente.
Hoje, o mercado europeu está repleto de operadores que ignoram sistematicamente as regras que as empresas europeias são obrigadas a cumprir. Não porque a lei seja inexistente. Pelo contrário: a lei existe, é exigente e, em muitos casos, é exemplar. O que não existe é capacidade ou vontade para garantir que todos jogam pelas mesmas regras. E é aqui que começa a verdadeira crise da competitividade europeia.
A dimensão do fenómeno é reveladora. Em 2022, circularam na Europa cerca de 1,4 mil milhões de pequenas encomendas enviadas diretamente a consumidores. Em 2025, esse número atingiu aproximadamente 5,9 mil milhões, quase 98% do total de encomendas importadas, mas representando apenas 2,1% do valor. Um oceano de pequenos pacotes, desenhado para escapar por entre as malhas de um sistema concebido para outra era.
Durante anos, exigimos às empresas investimentos em ecodesign, eficiência energética, segurança elétrica, responsabilidade ambiental, recolha de resíduos, compatibilidade eletromagnética e inúmeras outras obrigações que traduzem uma visão legítima do que deve ser um mercado moderno. Essas exigências têm custos financeiros, administrativos e operacionais que as empresas aceitaram porque acreditaram........
