A cidade também tem género
Há pouco tempo, um artigo da Monocle sobre o Reina, em Toronto (“What can you expect from an all-women-designed building? Architecture that prioritises community” escrito por Andrew Tuck), chamou-me a atenção por uma razão que vai muito além da arquitetura do projeto: a liderança maioritariamente feminina esteve associada a uma forma particularmente atenta de pensar a vida que acontece dentro e à volta do edifício. Quem desenha a cidade não desenha apenas edifícios. Define, em grande medida, a forma como vivemos.
É uma ideia que me tem acompanhado cada vez mais no meu trabalho entre a arquitetura e a promoção imobiliária. Não acredito numa “arquitetura feminina” enquanto linguagem ou estética – tenho a mesma formação que os meus colegas homens e “bebo” das mesmas fontes de inspiração e pesquisa –, mas a diversidade de perspectivas aporta valor e enquanto mulheres trazemos certamente novas formas de olhar para os edifícios e discussões diferentes para cima da mesa.
Ciente de que um edifício gera valor através da área que vende (estamos constantemente a melhorar nos nossos projetos o ratio entre área vendável e espaços comuns em prol desse mote), penso que também gera valor a qualidade da experiência que proporciona, a relação que estabelece com a rua, a........
