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Lembra-se do Iraque?

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19.02.2026

Nos tempos finais de Saddam Hussein como líder, quando o Iraque era já um pária internacional por, em 1990, ter invadido o Kuwait, a potencial lealdade ao regime em caso de intervenção americana era calculada pelo Pentágono em função das comunidades. Os árabes sunitas, grupo ao qual pertencia Saddam, eram vistos como uma base sólida de apoio, tal como, até certo ponto, a pequena minoria cristã, que considerava a ditadura laica como uma proteção e até dava ministros, como Tarek Aziz, que chegou a ser vice-primeiro-ministro. Os curdos, claro, tinham um longo historial de rebeldia e não acorreriam em defesa do homem forte de Bagdad. Quanto aos árabes xiitas, mais de 60% da população, não podiam ser verdadeiramente leais a um presidente que os tratava como cidadãos de segunda categoria, sobretudo depois da revolta falhada no sul, em 1991.

Quando os Estados Unidos avançaram finalmente, em 2003, com a operação militar que derrubou Saddam sabiam que o Iraque era um tigre de papel, mesmo que o pretexto fossem as tais armas de destruição massiva que nunca foram encontradas. As Forças Armadas estavam fragilizadas pela derrota de 1991, quando uma primeira intervenção expulsou os iraquianos do Kuwait, e pelos bombardeamentos sucessivos nos anos que foram decorrendo, e os iraquianos em geral sentiam-se cansados das sanções económicas, e também da opressão. George Bush pai não derrubou........

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