Liberdade no Brasil, fascismo na metrópole?
Disclaimer: Porque penso como penso desde que comecei a pensar, tenho um filho no grupo dos detidos na acampada.
Sérgio Godinho cantou “o fascismo é uma minhoca que se infiltra na maçã”, mas a explicação desta frase deveria ter sido feita nas escolas, nas universidades, nos debates públicos, nas rádios e televisões, nos jornais. Nas escolas não vi nada, só quando estudei direito alemão, quando estava a fazer a tese de mestrado, comecei a perceber de que forma é que o fascismo se infiltra e quais são as maçãs preferidas. É que o fascismo, antes de chegar abertamente à política – como vemos agora em Portugal –, é um estado de espírito, uma forma de pensar, um cansaço, uma desistência.
O fascismo nasce na rua, nas mentes, na estética da arte, na arquitetura, no Direito, nas conversas de café e nos debates universitários, na banalidade do dia a dia. Assume outros nomes, esconde-se, mascara-se de boas intenções, de preocupações com segurança, lei e ordem. Vai crescendo quando a frustração, a raiva e o ressentimento, a inveja, o egoísmo, o desespero, assumem domínio. Quando a desilusão e a falta de esperança se fundem. Quando nos tornamos os piores de nós. Quando quem perdeu a esperança de ter uma vida melhor se contenta com a certeza da miséria coletiva e alimenta-se da falsa sensação de superioridade que lhe é dada pela opressão do outro.
O fascismo é o fundo do poço, está sempre lá, à nossa espera. Quando a democracia esgota o leque de soluções pontuais para as crises constantes provocadas pelo capitalismo, quando o povo ganha poder, tem alternativa à exploração, e assusta as elites, quando o descontentamento já não pode ser contido. Quando quem lutou........
