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A voz que nos ensinou a ficar

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Não conheci Jorge Palma pessoalmente. Nunca tive com ele uma conversa, nunca lhe apertei a mão, nunca estive num camarim à espera de uma frase ou de uma história. Mas acompanhei sempre a sua carreira. Acompanhei-a como se acompanham os artistas que acabam por fazer parte da nossa educação sentimental: primeiro pela rádio, depois pelos discos, pelos concertos, pelas canções que surgem num momento certo e ficam para sempre associadas a uma pessoa, a uma viagem, a uma casa, a uma ausência ou a uma noite demasiado longa.

Há músicos que têm êxitos. Jorge Palma teve uma obra. E uma obra não se mede apenas pelo número de discos vendidos, pelas salas cheias ou pelos prémios recebidos. Mede-se pelo lugar que passa a ocupar na vida dos outros. As canções de Jorge Palma deixaram de ser apenas dele no dia em que começaram a ser cantadas por todos nós, muitas vezes sem sequer pensarmos de onde nos vinha aquela frase, aquele refrão, aquela vontade súbita de olhar para alguém e dizer: “Encosta-te  a mim.”

Era isso que........

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