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A verdade dos factos e o que ninguém quer debater: a Educação para os pobres (de espírito)

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12.08.2026

Desde 2017 que a média nacional a Português vem descendo regular e consolidadamente. Literatura Portuguesa é a disciplina com a média mais baixa de todas. Neste ano de 2026, a média de negativas a Português foi de 29,7%. No caso de Literatura, tendo-se apresentado a Exame nesta disciplina 900 alunos, a média é de 9,6 valores.

Com efeito, se virmos igualmente as médias de outras disciplinas da área de Humanidades – Filosofia e História – veremos que há, desde 2017, um padrão geral de abaixamento das competências de escrita e de leitura por parte dos alunos portugueses. Mesmo os melhores alunos portugueses de hoje, como confirma o PIRLS, têm problemas de literacia literária e, em bom rigor, não conseguiriam responder de forma proficiente a questionários dos exames destas disciplinas, e nomeadamente questionários de Exames de Português, tais quais esses exames apresentavam nos anos 90.

Em 2017, no Grupo III do Exame de Português, pedia-se que se reflectisse “num texto bem estruturado com o máximo de 350 palavras” (era no tempo do IAVE), sobre “Se, para uns, a conquista de uma vida melhor é o principal objectivo, e, para outros, a luta pelo bem comum se sobrepõe aos interesses individuais”. Era necessário, a partir deste dilema, ponderar o seguinte: “Será que estas duas perspectivas se podem conciliar na sociedade actual?”

Em 2026, nesse mesmo Grupo III, pede-se, nesta 2.ª fase, o seguinte: que o estudante, depois de 12 anos de escolaridade obrigatória, “defenda uma perspectiva pessoal sobre o contributo das experiências pessoais e dos conhecimentos adquiridos na escola para o enriquecimento da visão que cada indivíduo constrói do mundo”. Trata-se, a meu ver, da prova mais cabal de incompetência científica por parte de quem concebe este exame.

Neste grupo III o que está em causa é avaliar a capacidade de argumentação perante um tema ou problema e, ao mesmo tempo, medir a literacia de escrita. Com questões deste género, que convidam ao discurso mais subjectivo e impressionista, opinativo e acrítico, o que se avalia? Que leituras e que competência de discurso argumentativo têm os alunos do 12.º de ter se o que lhes é perguntado é de um primarismo e de uma infantilidade ímpares?

Comparemos e analisemos agora o Exame Nacional de 1997 com a idiotice de exames nesta disciplina que, de há uns bons 10, 15 anos a esta parte têm........

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