Ceuta: humanidade e segurança não são incompatíveis
Há um erro que se repete sempre que discutimos migrações: o debate é rapidamente capturado pelos extremos e deslocado das questões que realmente importam. De um lado, transforma-se cada crise migratória numa ameaça. Do outro, qualquer referência ao controlo das fronteiras é apresentada como uma cedência ao populismo. Esta oposição entre humanidade e segurança é falsa, e politicamente perigosa.
Nos dias 30 e 31 de julho, dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta. Embora ainda não exista um balanço oficial definitivo, os dados disponíveis apontam para mais de 70 mil entradas num território cuja população ronda os 85 mil habitantes. Nenhuma estrutura administrativa, policial, sanitária ou humanitária conseguiria absorver, sem rutura, um movimento desta dimensão.
O que aconteceu não foi apenas um episódio migratório. Foi uma catástrofe, uma crise humanitária e migratória, uma rutura temporária........
