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A Escola Poliglota Aprender na própria língua: um direito que a escola não pode ignorar

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26.02.2026

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A Escola Poliglota Aprender na própria língua: um direito que a escola não pode ignorar

As escolas portuguesas mudaram. As salas de aula são hoje espaços onde convivem dezenas de línguas: português, ucraniano, crioulo, mandarim, árabe, nepalês, hindi, russo, bengali, entre tantas outras. Mas a escola, essa, continua a funcionar como se todos os alunos chegassem com o mesmo ponto de partida linguístico.

Exige-se que aprendam, participem e produzam conhecimento exclusivamente em português, mesmo quando ainda não dominam a língua. O resultado é previsível: desigualdade, silêncio, frustração, exclusão e perda de talento.

É tempo de assumir uma evidência: impor a língua da escola como único veículo de aprendizagem não é neutral – é excludente.

E, paradoxalmente, não acelera a aprendizagem da língua portuguesa – atrasa-a. A investigação internacional é clara: alunos que mantêm e desenvolvem a sua língua materna aprendem mais depressa a língua de escolarização e têm melhores resultados académicos.

O que proponho é simples e profundamente transformador: permitir que crianças e jovens possam aprender, investigar e produzir conhecimento nas suas línguas, recorrendo à tradução automática instantânea sempre que necessário e a pedagogias translingues que valorizem o repertório linguístico de cada aluno. A língua portuguesa (LP) continua a ser o objetivo – claro, inegociável – mas o seu tempo de aprendizagem deve ser realista, gradual e apoiado.

A tecnologia tornou isto possível como nunca antes. Hoje, qualquer professor pode compreender, em segundos, um texto escrito em árabe, mandarim ou crioulo. Qualquer aluno recém-chegado pode participar desde o primeiro dia, sem ficar condenado ao silêncio até dominar a LP. A tradução automática não substitui a aprendizagem da língua portuguesa. Remove barreiras que antes eram inevitáveis.

Mas a tecnologia, por si só, não basta. É preciso uma visão pedagógica que legitime o uso das línguas maternas como ferramentas cognitivas. As pedagogias translíngues permitem exatamente isso: que os alunos tomem notas na língua que dominam melhor, comparem estruturas entre línguas, construam glossários multilingues, discutam ideias em pequenos grupos na sua língua de conforto e apresentem sínteses em português. Não se trata de “misturar línguas”, mas de usar todo o repertório linguístico para pensar melhor.

Uma escola plurilingue não relativiza a importância da língua portuguesa. Pelo contrário: garante que todos a aprendam bem, sem terem de abdicar das línguas que os ligam às suas famílias, às suas memórias e às suas identidades. E garante que o acesso ao currículo não dependa do acaso de ter nascido a falar a língua dominante.

Num país que se quer inclusivo, moderno e atento ao mundo, não faz sentido continuar a pedir a alguns alunos que deixem parte de si à porta da escola. A diversidade linguística não é um problema a gerir; é uma riqueza a mobilizar. Uma escola que fala todas as línguas prepara melhor os alunos para aprender, para viver e para participar plenamente na sociedade. Talvez esteja na hora de dar esse passo. É uma exigência da inclusão. E gesto de empatia.

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