“A herança que não cabe num...”
Quando pensamos em herança, tendemos a associá-la ao património, aos bens materiais, às propriedades ou às poupanças que uma geração deixa à seguinte. É uma associação natural. Afinal, ao longo da vida procuramos construir estabilidade, criar condições para a nossa família e garantir que aqueles que vêm depois de nós possam partir de uma posição melhor do que aquela de que partimos. Mas existe uma herança muito mais importante do que qualquer bem material. Uma herança que não cabe num testamento, que não pode ser avaliada em euros e que, muitas vezes, passa despercebida no meio das preocupações do dia a dia. Refiro-me aos valores, às instituições, aos exemplos, à educação e ao tipo de sociedade que estamos a construir para aqueles que nos irão suceder. A verdade é que cada geração recebe um legado e tem a responsabilidade de o transmitir. Recebemos dos nossos pais e avós muito mais do que casas, terrenos ou contas bancárias. Recebemos princípios, referências, formas de estar na vida, sentido de comunidade e respeito pelo trabalho. Recebemos instituições democráticas que outros ajudaram a construir e a consolidar. Recebemos uma sociedade imperfeita, certamente,........
