“UE-Mercosul: entre o protecionismo...”
É inegável que a União Europeia, e a Europa no seu conjunto, tem vindo a perder espaço no panorama internacional, tanto em termos de competitividade como de influência comercial e estratégica. Se durante décadas se falou da Europa como uma superpotência global, hoje essa narrativa surge de forma cada vez mais esporádica e menos convincente.
Esta perda de centralidade resulta de uma conjugação de fatores. A Europa enfrenta dificuldades internas, mas também assiste ao crescimento acelerado de outros atores globais. A realidade é dupla: enquanto a União Europeia se encontra, em muitos domínios, estagnada, outras regiões do mundo avançam a um ritmo muito mais rápido.
Nos últimos anos, o mapa do poder internacional alterou-se profundamente. A dissolução da União Soviética marcou o fim de uma ordem bipolar, mas abriu espaço à emergência de novas potências, como a China, e ao reposicionamento da Rússia. O crescimento destes países assenta em modelos económicos e políticos que prescindem de valores democráticos fundamentais. Baixos salários, jornadas de trabalho extensas e uma mão de obra barata permitem uma produção massificada, onde o fator humano é frequentemente reduzido a um mero instrumento produtivo. Esta lógica tem um impacto profundo nos mercados globais, inundados por produtos de baixo custo, mas também de baixa durabilidade, qualidade e segurança.
O exemplo........
