menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“(S)em anos”

18 0
07.07.2026

É sabido o momento que a imprensa, como um todo, atravessa. Grandes títulos internacionais e jornais de reconhecida influência passam por uma circunstância única. Uma tempestade perfeita que alia a exiguidade de recursos dos media tradicionais a uma feroz competição das chamadas “redes sociais”, operadas por poderosas multinacionais. A atenção deixou de ser naturalmente focada nos fenómenos noticiosos e migrou para um campo relativamente inorgânico, em que o “post” do vizinho, em virtude da “tração” que gera e potencia algoritmicamente, prevalece sobre o conteúdo verificado. A equivalência noticiosa que nas hodiernas redes se concede a genuínos fenómenos sociais, políticos e geopolíticos e, por outro lado, a receitas de cozinha diz bem sobre a contradição em que vivemos. Somos a sociedade da informação na era da desinformação. Temos o mundo à distância de um dedo, mas persistimos em voltar-nos para o nosso umbigo. Este é o tempo em que conscientemente decidimos tresler e não ler; em que optamos por participar, fomentar ou, até, criar teses conspirativas, ao invés de estudarmos, conhecermos e partilharmos o “saber de ciência feito”. Paradoxalmente, a dificuldade de aceder a conteúdos verificados é a mesma do acesso ao lixo digital. E, ainda assim, por uma pulsão primária e........

© Correio do Minho