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“A guerra no médio oriente”

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13.03.2026

Durante o primeiro ano do segundo mandato, Trump destruiu a ordem económica internacional, impondo tarifas a todos os países. A razão apresentada é de que os USA perderam com a globalização, já que se desindustrializou e passou a ser inundado por produtos importados de outros países, designadamente da China. E ao tornar pública a nova Estratégia de Segurança Nacional (NSS), ficou claro que os Estados Unidos rejeitavam a ordem liberal, o direito internacional e a proteção transformara-se num negócio. Os Estados Unidos deixam de ter amigos e aliados, já que o que importa são os interesses americanos (America First). Como caraterizar a nova teoria das relações internacionais? Os especialistas classificam esta teoria de realismo transacional. Esta abordagem, orientada para os interesses, privilegia os acordos internacionais em detrimento das alianças multilaterais que informam a Carta das Nações Unidas. Em suma, a nova abordagem significa uma volta à geopolítica dos finais do século XIX e princípios do século XX. Em artigo em publicação, procuramos identificar os cenários que permitem explicara nova política americana e os resultados da sua implementação. É de notar, todavia, que não se trata de cenários mutuamente exclusivos. O primeiro cenário é o que denomino de Caos Internacional que resulta do abandono da ordem internacional-liberal, rejeição do direito internacional e das organizações internacionais. Reportando-me à guerra do Médio Oriente, é indiferente aos Estados Unidos que da invasão resulte uma recessão internacional. O resultado é um mundo Hobbesiano em que “os estados se comem uns aos outros”. Esta política tem como instrumento a agressão militar, sendo a diplomacia um mero divertimento. O terceiro cenário aponta para um Mundo multipolar em que cada uma das grandes potências tem esferas de influência. Neste contexto, faz-se renascer a Doutrina Monroe, arrogando-se os Estados Unidos o controlo e o domínio sobre toda a América. Esses países serão considerados protetorados, sendo forçados a sujeitar-se aos interesses americanos. E, é ao abrigo desta teoria que se explica a invasão da Venezuela, bem assim como as ameaças ao Canadá, México Colômbia e Gronelândia. O terceiro cenário sugere que a política externa americana pretende restabelecer a hegemonia americana, usando o poderio militar, em primeiro lugar na sua esfera de influência, mas pode estender-se a regiões em que os USA tenham interesses, como é o caso do Irão. Segundo R. Kagan (2026), a megalomania de p está transformar os Estados Unidos de estado líder internacional em estado pária internacional. O quarto cenário aponta para um Confronto com a China, já que esta é, há muito tempo, a grande preocupação da política externa americana. De tal modo que se gerou a ideia de que os Estados Unidos (potência dominante) e a China (potência ascendente) entrariam em guerra. E, é, neste contexto, que se explica a invasão americana da Venezuela que exportava grande parte do seu petróleo para a China No caso do ataque ao Irão, o grande objetivo dos USA é o controlo do petróleo, como forma de condicionar o crescimento económico da China. Trump não está nada preocupado com a mudança do regime teocrático do Irão, como aconteceu com o regime autocrático da Venezuela. Já para Israel, a destruição dos mísseis balísticos e da produção de energia atómica significa a continuação da guerra iniciada em 1947, com vista a eliminação dos palestinianos, construção do grande Israel e sua transformação em potência dominante no Medio Oriente. E, por isso, nunca poderia aceitar o poderio militar do Irão e sua transformação em potência nuclear. E, qual a reação da China, a qual assiste à ameaça aos seus interesses, já que é a maior cliente do petróleo e do gás natural do Irão e do Golfo? Embora forneça ao Irão tecnologia de vigilância, a China procura evitar o confronto com os Estados Unidos. Acresce que analisa as táticas militares americanas, ao mesmo que procura a autossuficiência e a liderança nas indústrias do futuro. E, qual o comportamento da Europa relativamente a este conflito do qual está a sair profundamente prejudicada. Não houve política comum, como, de resto, tem acontecido de forma sistemática. Excetuando Espanha, os outros países tiveram respostas ambíguas. Quanto a Portugal a sua reação foi patética e contraditória, sendo que o Ministro dos Negócios Estrangeiros arrastou os pés, contradizendo-se em sucessivas declarações. É triste. E, como os Estados Unidos de Trump não têm amigos, nem aliados, espero que não paguemos a fatura que, de resto já começamos a pagar com a subida de preços e aumento do custo de vida.

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