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“Primavera antecipada: quando a...”

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24.03.2026

Março traz consigo a promessa da primavera. Ainda antes das flores se abrirem por completo, já há sinais de mudança: pequenos rebentos, cores tímidas, movimentos discretos que anunciam o que está por vir. Na escola, acontece algo semelhante — há alunos que florescem antes do tempo, que pensam antes de lhes ser pedido, que criam antes de lhes ser ensinado. Nem sempre sabemos reconhecê-los. A criatividade, tantas vezes evocada como uma competência desejável, continua a ocupar um lugar ambíguo no contexto escolar. É valorizada em discurso, mas frequentemente desvalorizada na prática. A escola continua a privilegiar a resposta certa, o procedimento esperado, a reprodução eficaz. O pensamento divergente — aquele que abre caminhos novos, que questiona o dado adquirido, que arrisca hipóteses — continua a ser, muitas vezes, tolerado, mas não verdadeiramente promovido. A investigação tem vindo a demonstrar, de forma consistente, que o talento não pode ser reduzido à capacidade cognitiva. Joseph Renzulli, ao propor o seu Modelo dos Três Anéis, veio precisamente alargar esta visão, integrando a criatividade e o envolvimento com a tarefa como dimensões essenciais da sobredotação. Não basta saber muito; é necessário saber pensar de forma........

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