Quando a máquina não basta: a derrota estratégica de Lula no primeiro turno
A história militar está repleta de exércitos maiores derrotados por exércitos menores. Raramente perderam por falta de homens ou de recursos; perderam por erro de desenho, por escolherem mal o terreno, por posicionarem mal os aliados, por concentrarem forças onde elas não eram necessárias e deixarem desguarnecidas as frentes decisivas.
Na política eleitoral, a lógica é a mesma. A máquina pública oferece visibilidade, agenda, capacidade de entrega e uma rede de alianças regionais, mas não substitui a estratégia. Ministérios, programas e emendas só se convertem em voto quando existe um plano que diga onde disputar cada eleitor, com quem e em qual palanque. O primeiro turno sugere que esse plano falhou justamente nas frentes que mais importavam.
São Paulo é o exemplo mais eloquente. No maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores, a disputa pelo Governo resumiu-se, na prática, a dois nomes: o governador Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad. Os demais candidatos, todos de pequenas legendas de esquerda, não chegaram a 1% dos votos cada um. O desfecho foi a reeleição de Tarcísio já no primeiro turno, com quase 63% dos votos válidos.
É inevitável perguntar como um partido que controla a máquina federal não foi capaz de colocar outros atores competitivos na disputa. Em eleições de dois turnos, candidaturas aliadas de centro ou de centro-direita cumprem uma função bem conhecida: fragmentam o voto do favorito, alcançam eleitores que jamais votariam no PT e empurram a decisão para uma segunda rodada. Um segundo turno em São Paulo manteria Tarcísio ocupado com sua própria eleição, longe do palanque nacional de Flávio; daria a Lula mais três semanas de presença e de estrutura no estado; e abriria espaço para novas alianças com os candidatos........
