Raí lembra ao Brasil que caráter vale mais do que patrocínio
Entre um jogo e outro da Copa do Mundo, a entrevista de Raí convida o leitor a interromper, ainda que por alguns minutos, a sucessão de análises sobre esquemas táticos, favoritos ao título e desempenho da Seleção Brasileira. O futebol aparece em quase todas as perguntas, mas a conversa alcança um território muito mais amplo quando o ex-capitão trata da expansão das bets no Brasil.
“O efeito das bets na sociedade brasileira é devastador". A frase resume uma preocupação que não nasceu agora. Raí revelou ter recusado cerca de 15 propostas para promover empresas de apostas esportivas. A informação ajuda a compreender a força de sua crítica. Num ambiente em que clubes, campeonatos, ex-jogadores, influenciadores, artistas e veículos de comunicação passaram a depender desse dinheiro, ele preferiu abrir mão de contratos lucrativos para preservar a coerência entre o que pensa e o que faz.
Foi justamente essa coerência que mais me chamou a atenção. É fácil condenar um modelo de negócios depois de nunca ter participado dele. Muito mais difícil é dizer não quando as propostas chegam à mesa e carregam cifras capazes de mudar o patrimônio de qualquer pessoa. A credibilidade de Raí nasce exatamente dessa escolha.
O debate sobre as apostas esportivas deixou de interessar apenas ao mercado do futebol. As plataformas ocupam transmissões de televisão, camisas, placas de publicidade, programas esportivos e redes sociais numa intensidade inédita. Ao mesmo tempo, crescem os relatos de famílias endividadas, jovens atraídos pela promessa de ganhos rápidos e consumidores incapazes de interromper o ciclo das apostas. Não se trata mais apenas de entretenimento. É uma questão social que exige regulamentação eficiente e fiscalização permanente, exatamente........
