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O planeta sitiado

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18.05.2026

A humanidade entrou em 2026 cercada por guerras, algoritmos e medo nuclear. A Ucrânia continua sangrando no coração da Europa. Gaza transformou-se num símbolo planetário de devastação humana televisionada em tempo real. O Mar Vermelho virou corredor armado. Taiwan permanece como um barril geopolítico ligado a fios chineses e norte-americanos. A inteligência artificial já participa da seleção de alvos militares. Satélites espionam continentes inteiros em segundos. E governos que mal conseguem impedir enchentes ou blecautes climáticos falam diariamente em “equilíbrio estratégico” enquanto ampliam arsenais.

O planeta entrou num elevador geopolítico com os cabos rangendo.

A retórica diplomática continua elegante. O cenário real perdeu a elegância há muito tempo.

A paz mundial, hoje, não parece uma utopia. Parece uma emergência médica. O problema é que a humanidade continua tentando administrar crises globais com ferramentas emocionais e políticas herdadas do século XIX. As fronteiras permanecem desenhadas nos mapas, mas já desapareceram das crises.

Nenhum país consegue deter sozinho pandemias, colapsos climáticos, ondas migratórias, ataques cibernéticos ou manipulação digital de massas. Ainda assim, os governos continuam se comportando como velhos senhores feudais armados de bandeiras e ressentimentos históricos.

Essa contradição não nasceu ontem. O século XX inteiro foi atravessado pela tentativa de construir mecanismos internacionais capazes de impedir o suicídio coletivo da civilização.

Depois da Primeira Guerra Mundial, surgiu a Liga das Nações. A ideia parecia revolucionária: criar uma estrutura internacional de segurança coletiva para substituir a guerra como método de resolução política. Mas a Liga nasceu manca. Os Estados Unidos mantiveram distância. A Europa impôs humilhações aos derrotados. O ressentimento alemão transformou-se lentamente em combustível político. Vinte anos depois, o mundo explodia novamente.

A Segunda Guerra Mundial alterou a escala do horror humano. Auschwitz destruiu qualquer ilusão sobre os limites da barbárie moderna. Hiroshima e........

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