O egoísmo de todos e a solidão de Adão no Dia das Mães
Uma indústria de absolvições funciona nas instituições. O diretor concede ao filho uma vaga e fala em confiança. O funcionário abandona uma obrigação e invoca cansaço. O político distribui cargos entre aliados pessoais e chama a operação de governabilidade. A vantagem tem endereço conhecido; o prejuízo é entregue a pessoas sem rosto. A linguagem faz o trabalho que a consciência hesita em assumir.
Em 1º de outubro de 2026, a revista Nature Human Behaviour publicou uma investigação de Marius Vollberg e Jörg Gross, da Universidade de Zurique. Foram nove experimentos pré-registrados com 8.769 adultos, predominantemente residentes nos Estados Unidos. Os pesquisadores examinaram como avaliamos os efeitos de nossas escolhas sobre desconhecidos quando esses efeitos são incertos. A pergunta alcança um território decisivo: o que fazemos com aquilo que preferimos desconhecer?
Em parte dos testes, ganhar sete pontos para si significava escolher uma possibilidade potencialmente pior para outra pessoa; ganhar cinco exigia renunciar a uma parcela do benefício pessoal. Os participantes conheciam o próprio ganho, mas recebiam apenas intervalos para o ganho alheio. Os inclinados à vantagem própria ampliavam mentalmente o benefício proporcionado........
