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A vida se decide quando sabemos eleger o que vem primeiro

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30.09.2026

Brasília acordou nesta quarta-feira, 30 de setembro, sob o céu seco de fim de inverno e com o calendário apertado. Faltam quatro dias para que o eleitor escolha quem governará o país até 2030. 

Raras vezes a nação esteve tão ocupada com o domingo e tão distraída das próximas décadas.

Passei os últimos dias refletindo sobre o documento do Escrever o Futuro porque ele toca numa ferida mais funda que a disputa eleitoral. 

Fala de instituições e, sobretudo, de tempo. O tempo tornou-se o bem mais maltratado da nossa época.

Vivemos sob a ditadura do instante. Byung-Chul Han, em O aroma do tempo, descreve uma época que perdeu a duração: os dias se desfazem em estímulos sem começo, meio ou fim. 

Pensar além do mês seguinte virou luxo de sonhadores. 

Essa preguiça cobra juros altos, sempre de quem esteve ausente da decisão: uma escola precária hoje produzirá adultos despreparados daqui a vinte anos.

Shoghi Effendi, que dirigiu a comunidade bahá’í mundial entre 1921 e 1957, descreveu dois processos simultâneos em curso no mundo moderno. 

Um, de desintegração, derruba velhas estruturas e espalha descrença. Outro, de integração, avança em silêncio e ergue as bases de uma ordem mais justa. Em 1936, escreveu que o mundo caminha para o seu destino e que a interdependência entre os povos já se tornara fato consumado.

Um homem que pensava longe

Poucas vidas me ensinaram tanto sobre pensar........

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