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Nelson Rodrigues, os maiores craques do mundo e a Copa

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26.06.2026

Nesta Copa do Mundo, em que os sem memória e ignorantes põem Messi como o maior craque da história, vale a pena ler e guardar as crônicas esportivas de Nelson Rodrigues, o amante possesso, dionisíaco, do melhor futebol. Me acompanhem, por favor, e olhem se tenho razão. Em outra oportunidade, já escrevi que não conhecia, na literatura mundial, alguém que fosse tão magnífico quanto Nelson Rodrigues na crônica esportiva.

Se pensam que me enganei, curtam e amaciem na boca, feito fruta rara, o que Nelson Rodrigues escreveu sobre um jogo de Pelé antes de começar a Copa do Mundo de 1958. Antes, leram bem. Para não dizê-lo um profeta, devo dizer: a sensibilidade, a genial arte de um escritor descobriu e revelou este fenômeno:

“Depois do jogo América x Santos seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura que o meu confrade Laurence chama de ‘o Domingos da Guia do ataque’. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: – 17 anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de 40, custo a crer que alguém possa ter 17 anos, jamais. Pois bem: – verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se ‘Imperador Jones’, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: – ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.

O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: – a de se sentir rei, da cabeça aos pés.

Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz........

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