menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma América do Sul turbulenta organiza resistência à “doutrina Donroe” dos EUA

14 8
22.01.2026

Quase duas semanas após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, a América do Sul segue sob uma nuvem de incerteza. O sentimento de instabilidade aumentou em 16 de janeiro, quando os Estados Unidos alertaram companhias aéreas para “cautela” em partes da América do Sul e Central, citando riscos ligados a possível atividade militar.

O pânico não veio do nada. Ele foi alimentado por declarações provocativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse que cartéis de drogas estariam “governando o México” e sugeriu ataques americanos a alvos em terra. Antes disso, ele já havia mirado a Colômbia, acusando o presidente Gustavo Petro de “exportar cocaína” para os EUA.

Com um continente de mais de 450 milhões de pessoas ainda atordoado pelo sequestro de um presidente em exercício, Petro respondeu de forma direta. “Se vocês detiverem um presidente que muitos do meu povo querem e respeitam, vocês vão soltar o jaguar do povo”, escreveu ele na rede X.

Mais tarde, quando Trump moderou um pouco o tom, Petro também tentou desescalar. Cancelou a ida ao Fórum Econômico Mundial e passou a concentrar energia na reunião prevista com Trump na Casa Branca, marcada para 3 de fevereiro.

A região, agora, prende a respiração para ver o que sairá desse encontro. E é justamente essa atmosfera — de tensão, ameaça e chantagem política — que dá o tom do momento sul-americano: não se trata apenas da Venezuela, mas do recado que se pretende impor ao continente.

O Brasil, maior democracia e economia da América Latina, tem atuado em duas trilhas paralelas para apoiar a Venezuela: a diplomática e a humanitária.

O presidente Lula denunciou publicamente a “violação da soberania venezuelana e do direito internacional”. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro concentrou esforços em ações de alívio emergencial. Brasília enviou 100........

© Brasil 247