Quando uma guerra ofusca outras tragédias atuais
Por Sergio Ferrari - O conflito que eclodiu em Gaza, em outubro de 2023, parece ter relegado para segundo plano o confronto entre Rússia e Ucrânia, que eclodiu em fevereiro de 2022. No entanto, o impacto letal desta última não diminuiu em nada.
Algo semelhante está acontecendo com a agressão de Israel e Estados Unidos contra o Irã e o Líbano, desencadeada em 28 de fevereiro deste ano: de forma alguma isso pode esconder o desastre humanitário que a população palestina continua sofrendo. Entre esse dia e a segunda semana de abril, 200 palestinos foram mortos em Gaza devido a bombardeios aéreos, de artilharia e drones. Enquanto isso, na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental), entre outubro de 2025 e abril deste ano, 22 palestinos, incluindo várias crianças, foram assassinados. Esses números, fornecidos pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), confirmam que pelo menos seis desses palestinos foram mortos por colonos israelenses, "que realizaram ataques diários, muitas vezes com apoio militar israelense" e estabeleceram novos postos avançados na região, o que gerou ainda mais violência. A OCHA alerta sobre o uso crescente de violência sexual e de gênero por colonos israelenses, que agem impunemente para intimidar e expulsar palestinos de suas terras.
As vítimas fatais da agressão contra a Palestina desde outubro de 2023 somam mais de 72 mil, a grande maioria civis; entre eles, pelo menos 20 mil meninas e meninos. Os feridos ultrapassam 171 mil. Segundo a agência de notícias Europa Press International, desde o chamado cessar das hostilidades e até o final de janeiro de 2026, outros 485 palestinos foram mortos (https://www.europapress.es/internacional/noticia-mueren-dos-palestinos-nuevos-ataques-israel-gaza-pesar-alto-fuego-vigor-20260126113332.html).
Cessar-fogo "apenas no nome"
A situação atual da população palestina, segundo a Comissão Internacional Independente de Investigação das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado (incluindo Jerusalém Oriental) e Israel, é "chocante", como pode ser visto pelos resultados alarmantes da assistência médica limitada, da insegurança alimentar e da habitação inadequada naquela região, afetando especialmente os mais vulneráveis. Essa situação é agravada pela decisão do governo israelense de fechar ou restringir as passagens fronteiriças, o que afeta significativamente a chegada........
