O que o Brasil não sabia sobre mulheres que passaram pela cirurgia intima de afirmação de gênero
A pergunta que o sistema de saúde brasileiro sempre preferiu não fazer é a que responde esse dossiê: como estão, de fato, as mulheres trans que passaram pela cirurgia de redesignação genital? Não no sentido clínico estreito, não o olhar do protocolo sobre o corpo aberto na mesa — mas como elas estão? O que sentem? O que precisam? O que o Estado ofereceu e o que deixou cair?
O Dossiê Redesignadas, publicado no último dia maio de 2026 pelo Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (INAMUR) em parceria com a UFSC, é a resposta. E ela incomoda nas duas direções: incomoda quem apostava que a cirurgia seria invariavelmente traumática, e incomoda quem apostava que a medicina resolveria tudo.
As 144 participantes do questionário autoaplicável têm entre 22 e 76 anos, com média de 40. Maioria negra (56,2%), majoritariamente solteira (63,2%), com acesso ao ensino superior (63,8%) — um dado que destoa do perfil geral da população trans brasileira e merece leitura com cautela: quem consegue chegar à cirurgia já atravessou inúmeros filtros. Quase metade (45,8%) iniciou sua transição social e/ou hormonal ainda na adolescência, entre 13 e 18 anos. A maioria só conseguiu realizar a cirurgia entre os 31 e os 44 anos. Mais de três décadas de distância entre o reconhecimento de si e o acesso ao próprio corpo.
O que a cirurgia mudou
O dado mais contundente do dossiê não é sobre complicações, é sobre autoestima:........
