menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Barbacena: os pássaros soltos e a gaiola no teto, para onde vai a liberdade?

7 0
yesterday

Na tarde desta terça-feira, 6 de outubro, saindo do Rio de Janeiro com destino a Lavras, a estrada me fez passar por Barbacena e, mais do que passar, me deteve, de modo que a tarde inteira se consumiu dentro do que resta do hospital psiquiátrico, entre corredores, pátios e paredes que guardam, na espessura da cal e do silêncio, aquilo que a história oficial levou décadas para nomear. Saio de lá carregando memórias que não são minhas e que me tomaram como se fossem e uma perturbação que não se deixa resolver em indignação nem se acomoda em luto, porque o que vi não pertence apenas ao passado de um século que já foi, pertence também à pergunta sobre o que uma sociedade faz com os corpos que não consegue suportar, e essa pergunta, ao passar o portão, entrou comigo no carro.

O primeiro paciente deu entrada no Hospital Colônia em 12 de outubro de 1903, e a partir dali o lugar foi se tornando aquilo que Daniela Arbex chamou de Holocausto Brasileiro, com algo em torno de sessenta mil mortos, muitos deles sem diagnóstico psiquiátrico algum, epilépticos, alcoólatras, moças engravidadas pelos patrões, homens sem documento, gente despachada de trem por famílias e municípios que queriam se livrar de um incômodo. Dormiam sobre capim, bebiam água de esgoto, tomavam choques que derrubavam a rede elétrica da cidade e depois de mortos tinham os corpos vendidos a........

© Brasil 247