Assessoria de imprensa gratuita – Como a esquerda fez a campanha de Flávio e ainda pediu curtida
Antonio Tabet disse em voz alta o que muita gente do campo progressista murmura desde domingo, e o disse com o humor que é, no Brasil, a forma mais honesta de dar notícia ruim, mas me interessa menos o diagnóstico dele do que a minha própria timeline, porque eu, LGBT, que não sigo uma única página de direita, fui informada de cada passo de Flávio ao longo da campanha pela esquerda, e não pela direita. Foi a esquerda que me mostrou o ato, a fala, o corte, a gafe e a agenda, sempre em tom de denúncia, com a indignação na frente e o compartilhamento atrás, de modo que quem pretendia combatê-lo trabalhou o tempo todo como assessoria de imprensa gratuita do adversário, sem perceber que o algoritmo não distingue o repúdio da adesão e entrega o mesmo alcance a quem grita contra e a quem aplaude. Cada postagem escandalizada era, para a máquina, um sinal de que aquele conteúdo merecia ser mostrado a mais gente, e a esquerda, em nome de alertar o país, passou semanas fazendo a distribuição que a campanha adversária não precisou pagar.
Escrevi sobre esse mecanismo em Programa de travesti: educação & mídia, sobre como a mídia e a indignação fabricam visibilidade, e descobri com certo espanto que meus leitores bolsonaristas leem mais do que meus parceiros feministas e pró-LGBTI, o que me entristece e que,........
