Marco Feliciano, as bruxas, o carnaval e o racismo religioso evangélico
Sobre a definição original do termo bacanal, é importante que se diga que ele se origina do latim bacchanalia, e se refere às festas realizadas em homenagem a Bacchus, ou Baco, o deus romano do vinho, dos prazeres e da embriaguez. Originalmente, eram rituais inicialmente femininos, focados em música, dança e vinho, tendo o seu sentido desvirtuado de acordo com conveniências humanas para satisfação de outros prazeres ou vontades. Por isso, quando nos referimos a bacanal nos dias de hoje, o termo nos remete, sobretudo, à satisfação do prazer carnal. Algo que acabou sendo inserido na festividade de Baco, mas sem fazer parte de sua essência. O que resultou numa tentativa de intervenção do império romano na continuidade do rito, sugerindo a sua proibição.
Do mesmo modo, o charlatanismo de pastores evangélicos foi inserido dentro de um cristianismo que, por essência, não continha as vigarices e as picaretagens que hoje são apresentadas como evangelho de Cristo e palavra de Deus. O que não pode nos levar a crer que todos que participam dele hoje em dia, sejam vigaristas e pilantras como muitos líderes. Líderes como o pastor parlamentar e deputado evangélico Marco Feliciano, que anda muito mais preocupado com os “demônios” do carnaval, do que com a situação política do país, da qual ele, como parlamentar, deveria cuidar para torná-la melhor. Depois de subir à tribuna da Câmara para fazer uma pregação religiosa contra a festa mais popular do país e classificá-la como um “bacanal a céu público”, ele agora está compartilhando vídeos em suas redes sociais contendo “alertas” aos cristãos sobre o sentido “maligno” da festa.
Em um dos vídeos, ele associa a sexta-feira 13 a uma data usada para fazer rituais demoníacos, e lembra que o carnaval deste ano teve início........
