Crise no STF, jogo de cena político e novas definições de rumos? Quando muito se fala de um ponto e se esconde um tanto
O exercício de acompanhamento da conjuntura política mostra que, nas últimas semanas, predomina nos noticiários a crise do Supremo Tribunal Federal (STF). A pauta vem sendo também debatida pelas mídias independentes progressistas e altamente explorada por lideranças da direita bolsonarista. Vale destacar que o campo democrático-popular também sinaliza para a discussão, sobretudo por meio de posicionamentos do próprio presidente Lula, além de candidatos ao Senado, como Humberto Costa (PT-PE) e Simone Tebet (PSB-SP). Antecipo que o Senado também tem um lugar contundente na temática do artigo.
É preciso analisar esta crise sem precedentes da corte suprema do país. Todavia, em período eleitoral, é mais fundamental ainda decifrar quem ganha e quem perde no debate público, além de captar como se modulam determinadas perspectivas da discussão política.
Os pleitos brasileiros recentes vêm sendo acompanhados por pesquisas de opinião das mais diversas ordens e institutos, e elas são relevantes para captar a volatilidade da cena política. Citarei dois levantamentos emblemáticos, da semana passada, que balizam os argumentos centrais deste texto: a pesquisa da Genial/Quaest, que aponta que 67% do eleitorado não mudará seu voto por conta da crise do STF, e a do Datafolha, que constata que, para 85% dos entrevistados, tal questão em nada interfere na decisão do voto. Ao que aparenta, a crise judiciária não mudou, por ora, o tabuleiro das intenções de voto. A pesquisa Datafolha desta quinta (17/09) reforça esta compreensão: Lula marcou 39% x 36% no primeiro turno, ou seja, um quadro de estabilidade.
Os dados acima retratam o momento e contrastam parcialmente com o foco midiático, pois, se não necessariamente a maioria da população estava ávida por dar centralidade ao assunto, canais de comunicação como a Rede Globo, CNN Brasil e Jovem Pan marcaram recordes de audiência no ano com a cobertura do julgamento.
Explorando mais as nuances das pesquisas dos últimos oito dias, ainda conforme a Genial/Quaest, a segurança pública é o primeiro tema de preocupação da maioria do eleitorado, com a corrupção aparecendo em segundo........
