Tá na hora da virada
Ao longo dos últimos dias o candidato Luiz Inácio Lula da Silva parece ter dado um chega prá lá em seu heterônimo – o Presidente Lula. Tendo em vista as dificuldades enfrentadas pela campanha, que está empenhada pela reeleição, em diminuir as taxas de desaprovação do atual ocupante do Palácio do Planalto, Lula parece ter decidido partir para o ataque. Tudo se passa como se ele – finalmente! – tivesse dado ouvidos aos economistas progressistas e desenvolvimentistas, que desde o início do terceiro mandato alertávamos para os riscos envolvidos na adoção do Teto de Gastos do Haddad, o chamado Novo Arcabouço Fiscal (NAF).
O governo ficou praticamente parado nas questões essenciais durante quatro anos, enrolando a agenda do povo, segurando a colocação em marcha de programas de políticas públicas mais voltados para o social – sempre com a desculpa esfarrapada do “não temos recursos”. Assim, a combinação perversa da manutenção de uma taxa de juros nas estratosferas com uma obediência cega a uma austeridade fiscal burra e obtusa deu no que deu. As pesquisas de opinião insistem em mostrar um governo que não estava conseguindo convencer a população de que ele merece sua confiança para ficar mais quatro anos à frente do comando do Brasil.
Lula se deu conta que apenas reprisar o discurso oficial de que o PIB cresceu um pouquinho em 2025 e que o desemprego está em suas menores taxas da série histórica não estão sendo suficientes para assegurar um passeio nas eleições, tal como lhe confiavam os assessores puxa sacos de sempre. Não! A realidade é muito mais complexa do que imaginam os cabeças de planilha da tecnocracia simpática ao financismo neoliberal. Isso porque o fato concreto é que a vida do povo não melhorou o quanto afirmavam os modelitos econométricos. Afinal, como dizia a saudosa professora Maria da Conceição Tavares, o povo não come PIB. A população precisa de alimentos, cujos preços têm subido sistematicamente mais do que o salário-mínimo e a remuneração média dos assalariados e demais trabalhadores.
As medidas anunciadas pautam de debate e encurralam Bolsonarinho.
Mas felizmente Lula parece ter se convencido de que não deveria seguir a estratégia de jogar parado, como se a inércia e a passividade do candidato levassem tranquilamente a uma vitória no pleito. Ele já havia dado sinais de sua inquietação, quando afirmou em evento recente da campanha em Curitiba que o respeito à austeridade fiscal seria uma “babaquice”. Em seguida, Lula fez anúncios muito importantes para consolidar sua candidatura e atrair o voto dos indecisos. Em todos eles, o candidato teve de peitar o Presidente e........
