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Os ossos de Bolsonaro e os burros de Milei

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21.04.2026

É uma crueldade, mas circula na Argentina que todos os pobres não comerão carne de burro, como vêm anunciando alguns jornais, porque não haverá burro para todos. Faltam até burros na Argentina, como faltava osso no Brasil durante o governo de Bolsonaro.

Mas comer carne de burro na Argentina não equivale a raspar osso no Brasil. Porque lá a carne de gado é também simbolicamente a expressão de superioridade e fartura de um povo em relação aos seus vizinhos.

É um drama inédito pela presença do burro — mesmo que os argentinos tenham passado fome a partir de 2001, quando a dolarização chegou ao fim. No ‘corralito’, que bloqueou o dinheiro nos bancos, eles faziam filas para sacar 250 dólares por semana.

No dia 28 de maio de 2002, antevéspera de feriado de Corpus Christi, a população cercou os bancos para tirar o que poderiam não ter mais diante. Alardeavam que, depois da quinta-feira do feriado, tudo podia acontecer, com mais bloqueios.

A Argentina teve cinco presidentes, desde a renúncia de Fernando de La Rúa, no final de 2001. É naquele momento, com o trauma da retenção dos dólares nos bancos, para evitar correrias e quebradeiras, que o argentino desenvolve a síndrome que o domina até hoje.

Não confia mais na moeda nacional e só se protege em dólares, mas com poupança em casa ou em algum lugar que só o poupador sabe. Vem daí a conta segundo a qual a Argentina tem apenas US$ 30 bilhões em reservas. Mas os argentinos guardam US$ 300 bilhões dentro de casa ou em algum esconderijo no país e fora dele.

Os ricos, claro,........

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