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Depois de comer a velha direita, o bolsonarismo devora os jornalões

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09.10.2026

Em lenta ruminação, a extrema direita vai engolir também as corporações de mídia, depois de comer o centrão. Não matará os negócios de TVs, rádios e jornais, principalmente os de Globo, Folha e Estadão, mas o que restava da ‘alma’ pós-ditadura. Vai se apossar do que pode ter sobrado do período pós-68, quando os jornalões passaram a defender a própria sobrevivência.

Mas como o bolsonarismo pode comer as corporações sem aniquilar seus negócios, suas audiências e seus lucros? Porque agora, ao contrário do que ocorreu a partir da resistência à censura e à fase terminal dos militares, o bem maior não existirá mais, se Flávio Bolsonaro for eleito.

O bem maior é a democracia, protegida pelos jornalões nos anos 70, quando se iniciou a reação à ditadura. A democracia era um bem e um produto a ser vendido. Apresentava consistência como valor maior e como mercadoria. Tinha muito glamour.

Os jornalões defenderam o resgate da democracia, com a força do ativismo de suas redações, porque a luta e o clima criado eram charmosos para os donos dos jornais. Era chique defender a democracia, no impulso que mobilizava o mundo todo contra regimes autoritários.

Era preciso, para Roberto Marinho no Globo, Octávio Frias de Oliveira na Folha e Júlio de Mesquita Neto no Estadão, rejeitar os controles absolutos exercidos pelos militares sobre o que deveriam publicar. Eles precisavam, por atavismo, pela índole como vendedores de informação, salvar suas empresas do controle de ditadores, depois de terem sido colaboracionistas do golpe.

Era um aviso pós-AI-5: daqui vocês não passam. E sabemos o que aconteceu na sequência. Todos se lembram, com certo romantismo, da histórica resistência do Estadão – com o truque de Os Lusíadas ocupando........

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