O bolsonarismo pede socorro a Trump
O escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse talvez tenha produzido um dos momentos mais reveladores da crise atual do bolsonarismo. Não apenas pelo conteúdo das denúncias, mas principalmente pela naturalidade com que figuras centrais do campo bolsonarista passaram a tratar relações profundamente problemáticas entre poder político, dinheiro privado e construção de propaganda ideológica.
O problema para Flávio Bolsonaro é que o caso Vorcaro não surge no vazio. O episódio inevitavelmente recoloca em cena a longa sombra das rachadinhas, investigação que já havia abalado a narrativa moralizante do bolsonarismo. Mais uma vez, dinheiro, relações privadas e poder político aparecem perigosamente misturados ao redor do principal herdeiro eleitoral da família Bolsonaro.
A entrevista de Valdemar Costa Neto à jornalista Andréia Sadi, na GloboNews, na segunda-feira 25 de maio, acabou se transformando num desses episódios em que a tentativa de defesa produz efeito contrário ao esperado. Ao tentar minimizar a situação, Valdemar praticamente confirmou aquilo que até então aparecia apenas em investigações e bastidores: que Flávio Bolsonaro atuava diretamente na busca de recursos milionários junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
E talvez a frase mais simbólica tenha sido justamente a mais simples. Segundo Valdemar, Vorcaro queria "estar bem com a família Bolsonaro", já que apostava na vitória de Flávio nas eleições de outubro.
Dita assim, quase casualmente, a frase ajuda a revelar um mecanismo político profundamente brasileiro — mas agora associado à extrema direita: empresários buscando proximidade com grupos políticos influentes por meio de financiamento indireto, acesso privilegiado e construção de relações pessoais.
Durante anos, o bolsonarismo apresentou-se como movimento moralizador, supostamente disposto a romper com a "velha política", combater a corrupção e destruir esquemas promíscuos entre empresários e poder público. Agora, o principal herdeiro eleitoral da família Bolsonaro aparece justamente no centro de uma operação cercada por cifras milionárias, banqueiros investigados e articulações financeiras opacas.
E não estamos falando de um simples documentário político. O filme Dark Horse foi concebido como peça estratégica de reconstrução internacional da imagem de Jair Bolsonaro. Produzido em inglês, voltado ao público conservador norte-americano, estrelado por Jim Caviezel — ator ligado à direita........
