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Avanço da direita e declínio da democracia

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25.06.2026

A vitória da extrema direita, por margem apertada, nas eleições do Peru e da Colômbia, e o autoritarismo cada vez mais reforçado do governo dos EUA recolocam na ordem do dia o tema do declínio da democracia e sua relação com o capitalismo.

Durante grande parte do século XX, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, difundiu-se a ideia de que capitalismo e democracia liberal eram parceiros inseparáveis. O crescimento econômico, a ampliação do consumo e a expansão dos direitos políticos pareciam caminhar juntos. A queda do Muro de Berlim em 1989 e o desmoronamento da União Soviética em 1991 reforçaram essa percepção. Muitos autores acreditavam que a democracia liberal representava o estágio final da evolução política das sociedades modernas.

Nas primeiras décadas do século XXI, entretanto, essa associação passou a ser questionada. O avanço de governos autoritários, a concentração crescente da riqueza, o enfraquecimento dos partidos políticos e a influência cada vez maior do poder econômico sobre as decisões públicas indicam uma crise profunda da democracia liberal. Ao mesmo tempo, observa-se que o capitalismo globalizado continua funcionando e acumulando riqueza mesmo em países onde as liberdades democráticas são limitadas. Surge então uma questão central: o capitalismo ainda pode conviver com a democracia liberal para sobreviver? Ou prefere regimes autoritários?

Antes de abordar essa questão, com o objetivo de organizar as ideias, peço licença ao leitor para lembrar rapidamente o conceito clássico e moderno de democracia.

O conceito clássico de democracia

O conceito clássico de democracia tem suas origens na Grécia Antiga, especialmente em Atenas, no século V a.C. A palavra democracia significa literalmente “governo do povo”. Na concepção clássica, a democracia era entendida como a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas da comunidade.

Em Atenas, os cidadãos reuniam-se em assembleias para debater e votar leis, decidir sobre questões de guerra e paz e deliberar sobre assuntos públicos. Não havia representantes eleitos para governar em nome da população, como ocorre nas democracias modernas. O exercício do poder era direto, mas as mulheres, escravos e estrangeiros não eram considerados cidadãos e, portanto, não participavam da vida política da polis.

O ideal democrático clássico estava baseado em princípios como a igualdade perante a lei (isonomia), a liberdade de expressão (isegoria) e a participação ativa dos cidadãos nas decisões coletivas. A democracia era vista não apenas como uma forma de governo, mas também como uma prática de cidadania, na qual os indivíduos assumiam responsabilidades na condução dos assuntos públicos.

A experiência ateniense tornou-se uma referência fundamental para o pensamento político ocidental. Os conceitos de soberania popular, igualdade perante a lei, participação política e busca do bem comum influenciaram as democracias modernas, baseadas na democracia representativa, face à existência de sociedades mais populosas e complexas.

O conceito moderno de democracia

O conceito moderno de democracia desenvolveu-se a partir dos séculos XVII e XVIII, influenciado pelo pensamento iluminista, pelas revoluções liberais e pela formação dos Estados nacionais. Diferentemente da democracia clássica ateniense, baseada na participação direta dos cidadãos, a democracia moderna fundamenta-se principalmente na representação política, ou seja, os cidadãos elegem representantes para governar em seu nome.

A democracia moderna está associada aos princípios da soberania popular, da igualdade jurídica, dos direitos individuais e do Estado de........

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