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O trabalhador quer viver. Mas quem lhe dará esse direito?

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09.10.2026

Há uma pergunta que deveria ocupar o centro do debate sobre o futuro do trabalho no Brasil. Afinal, quanto da própria vida um trabalhador precisa entregar para ter o direito de sobreviver? Oito horas por dia? Dez? Seis dias por semana? E quanto tempo deve sobrar para os filhos, para a família, para estudar, descansar ou simplesmente não fazer nada? Parece uma discussão elementar, mas, em pleno século XXI, ainda precisamos defender algo que deveria ser óbvio. O trabalhador não nasceu para viver exclusivamente em função do emprego.

A discussão sobre o fim da escala 6×1, que chegou ao plenário do Senado nesta semana, trouxe para o centro da disputa presidencial duas concepções bastante diferentes sobre a organização do trabalho. Luiz Inácio Lula da Silva defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerados e sem diminuição dos salários. Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende uma alternativa baseada na flexibilização dos contratos, na negociação individual, na remuneração proporcional às horas trabalhadas e sem descanso remunerado.

A proposta defendida por Lula parte do princípio de que a redução da jornada deve representar uma conquista efetiva para quem trabalha. Já a proposta encampada por Flávio Bolsonaro, apresentada pelo senador Rogério Marinho, permite que trabalhadores optem por contratos remunerados por hora, com reflexos proporcionais sobre férias, décimo terceiro e FGTS. Seus defensores argumentam que isso ampliaria a liberdade de escolha e poderia facilitar contratações. As entidades........

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